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sábado, maio 12, 2018


* É maio! mês que eu mais gosto. Tempo em que os dias começam a ficar deliciosamente frios, e as noites, geladas. Melhor fatia do ano.

* Acabei de chegar de São Paulo, onde como sempre sou a pessoa mais feliz do mundo. Olívia e Gabriel estão lindos, espertinhos, passou a fase das doencinhas e agora só engordam, crescem e brotam dentinhos. Ando com eles na cabeça o dia todo, o tempo inteiro.

* Perdi uma amiga, que eu amo verdadeiramente e que vinha sendo parte muito presente da minha vida. Mas o preço que sempre paguei por essa amizade - e que nunca foi barato - chegou finalmente ao último vintém das minhas reservas. Ainda me pego triste, olhando os presentinhos que trouxe pra ela de Veneza, e dos quais ela nem quis saber: afinal, eu cometi o imperdoável erro de fazer, com a minha própria vida, algo que ela tacitamente "desaprova". Tá doido. Nenhuma relação vale a pena quando impõe, como condição absoluta de existência, a assunção integral de todas as determinações do outro. Quando exige, de você, a supressão do seu eu. Bem, segue o baile.

* Fechou-se uma porta, mas abriu-se uma janela. E a vista é convidativa e linda. 

* Tive uma surpresa maravilhosa. Ainda é cedo para comemorar de verdade, mas foi uma surpresa feliz e que me trouxe de volta afetos que eu julgava perdidos, por uma série de razões. Os dias estão muito, muito mais leves de se viver. Até os meus sonhos vêm refletindo isso.

* Martina, a filhinha do Rapha, está linda e saudável depois de passar por um nascimento prematuro e dias delicadíssimos na UTI neonatal. Já nos olhamos nos olhos e tenho certeza que passei, para ela, o recado: vamos ser grandes amigas nesta vida.

* Decidido: me convenci de que o papel de parede de tijolinhos é a melhor solução para a parede da sala. 

* Cortei a franjinha mais curta que já usei desde a infância e estou com cara mesmo de índia. Agora entendo minha ex-sogra portuguesa, que sempre me dizia isso.

* Quanto ao inverno, dizem que será o mais frio dos últimos 100 anos. 

* E que tal essa cortininha de crochê?



Oun ♥ 

Dear Bruce. Amo esse cara. 

Maravilhada lendo a super bem-escrita autobiografia dele, neste sabadinho gostoso de outono.

domingo, abril 22, 2018



#101em1001: Itália - Assis

Não é que eu tenha amado Assis, eu simplesmente tive a sensação de que não sabia o que era AMOR até pisar nesse lugar. Exatamente quando a gente se apaixona por um homem e jura, de pé junto, que daquele jeito, nunca antes. 

Fato é que esse 09 de abril entrou para o top 5 dos dias mais felizes que eu já vivi, em 40 anos de vida. Foi um concentrado de maravilhas tão profundas, e tão próximas da perfeição, que... quero contar tudo aqui pra nunca me esquecer. Para andar de mãos dadas com essas memórias pra sempre. 


Acordamos às 06:30h, porque o trem de Florença para Assis partiria às 08:02h. Pedimos à nossa amada Maria, gerente do hotel, para tomarmos o café antes do horário normal (lá, a colazione era só a partir das 07:30h) e saímos, num friozinho de uns 17 graus com chuva, que eu de início achei que iria acabar com o programa mas que aaaah - mais pra frente eu conto.  




A viagem foi meio longa, umas 3 horas quase, passando por várias cidadezinhas bem sem charme, apesar dos nomes (San Giovanni Valdarno, Arezzo, Peruggia), e quando chegamos à estação, tivemos que pegar um táxi até a parte histórica da cidade, que fica no alto de um morro. Graças à previsão da nunca assaz citada Maria, levei emprestada uma sombrinha de plástico pequena, que segundo ela, as lojas de alta costura da Itália dão de brinde aos clientes ricos (kkkk) e que salvou o passeio: choveu praticamente o tempo todo, uma chuvinha fina e gelada, tipo garoa. 

Na foto acima, a caminho da basílica de São Francisco de Assis, Maridaço é abordado e estabelece laços de sincera fraternidade com o garçom simpaticíssimo, oferecendo amostrinhas de algo certamente maravilhoso mas que não cheguei a degustar.



 Na basílica, mesmo, ficamos pouco. Apesar de, por dentro, ser a mais linda de todas as igrejas em que entrei (e a única que me emocionou de um jeito positivo), respeitei, de coração, as ordens para não fotografar, em especial a cripta onde está enterrado o Santo. Depois, descemos para explorar a cidadezinha mais bonita da Itália e do mundo. 

Ah, cumpre registrar que Assis tem um jeitinho meio Tiradentes de mesclar requinte estético, austeridade sacra e charme histórico com artesanato local inacessivelmente caro, além, é claro, de incontáveis lojinhas de souvenirs como essas atrás de mim, onde comprei bem menos lembrancinhas do que gostaria (é muito amor pra pouco euros, sfortunatamente). Mas em nome da sobrevivência, acabei comprando a écharpe verde na qual me enrolei ali embaixo, e o Rodrigo, uma touca. O frio estava a cada minuto mais maravilhoso, pena que eu é que tava vestida inadequadamente.



A benfazeja sombrinha de prástico, a quem devo tudo

Sim, que a tia mandou bordar na hora pra ela



Esse capuccino, além de delicioso, fez voltar à vida meus dedos paralisados de hipotermia





Lá pelas três da tarde paramos pra almoçar. Pedi o prato do dia, uma lasagna al funghi, a essas alturas já ciente de que qualquer prato que se pede na Itália, em qualquer restaurante que não seja birosqueta, está fadado a ser divino. Como meu celular estava com a bateria criticamente baixa e eu, com uma fome de dar vertigem, não fotografei aquele que se revelou o prato mais maravilhoso que já saboreei até o presente domingo, 22 de abril de 2018. Sem exagero: foi a melhor coisa que já comi na vida. 

Almoçamos e fomos andar mais pela cidade, depois visitar a igreja de Santa Chiara. 






A controvertida touca de pompons, que ao fim e ao cabo me preservou as orelhas sem prejuízo reputacional


Corpo incorrupto de Santa Chiara, como dizem na Italia
Vocês devem reparar que, nessas fotos de viagem, tirei muito poucos registros de pessoas locais. Sinto um misto de acanhamento e respeito em excesso, porque sei que para a maioria é desconfortável ser fotografado, quanto mais por estranhos. Mas, agora, tenho dó de não ter tirado uma fotinho com o frei incrivelmente doce e amável que nos recebeu, nessa igreja, e que foi tão prestativo ao nos informar que logo ali abaixo estava a casa onde São Francisco de Assis nasceu. Amigos católicos, não vos ofendeis, mas de todos os cerca de 30 padres que vimos na Itália, apenas 2 foram fofos, queridos e generosos conosco. A maioria, carrancuda e ranzinza, exsudava rejeição e desprezo, senão pela humanidade como um todo, certamente pelos gringos em situação de turismo. 

Seguindo, portanto, as orientações daquele santo homem, viramos uma esquininha, à destra, e logo abaixo encontramos o umbral da Casa Paternale, e duas salas, cada uma com um altar. 


Sniff, emocionei sim



Não sou - não sou mesmo! - aquele tipo de turista escrotinho que veste a pretensão de ser um local e reclama de ter que esbarrar com japoneses, hispânicos e principalmente brasileiros, nos lugares que visita. Mas devo reconhecer a maravilha que foi ter Assis só pra nós. Não sei se foi a dobradinha de frio e chuva, mas sei que a cidade, à tarde, estava deserta, a ponto de estarmos sozinhos, eu e o Rodrigo, nesse lugar sagradinho e certamente cobiçado por tantos devotos. Entrei, sentei num banco e fiquei sozinha observando a chama da vela, as pedras das paredes, ouvindo aquele farfalhar da chuva nas folhas. Não é possível, pensei. Caramba, estou só e em silêncio na casa onde São Francisco nasceu! Nunca imaginei que teria esse instante na vida.

Pensei na coleção de imagens dele que minha mãe tem na sala, e chorei. 

Pensei na história que dele contam, em sua devoção à natureza e aos animais, na carinha da Nala.  Na minha amiga Andréia, acumuladora de gatos, na Giane, com seus cachorrinhos, e quis muito que elas um dia pudessem estar naquele mesmo lugar, sentindo aquele mesmo abraço sobrenatural. Como a cidade é toda inteiriça, feita de pedras grandes, foi difícil achar alguma pedrinha solta do chão para levar de lembrança, então peguei dos pés de uma planta, que estava na porta da casa. Trouxe uma pra cada uma dessas amigas que podem até não ser as mais próximas que tenho, mas que por algum motivo especial, foram as que me vieram à mente e ao coração naquele momento.

Quanta gratidão, gente ♥

E já hora do chá da tarde:










Postal cheio de amor para a sede da Polícia Federal em Curitiba ♥ #LulaLivre 



Último close às seis da tarde, esperando o táxi para a ferrovia. Pegamos o último trem para Florença, que saía às 19:12, com a certeza de que vamos voltar sim, pelo menos mais uma vez. Ah, vamos.

sábado, abril 21, 2018


#101em1001: Itália - Pisa!

Trata-se de uma exigência do Maridaço, que queria porque queria ver a torre e, pior, subir nela.  Fiquei com um puta medo e uma puta vertigo, porque ela é REALMENTE torta e toda feita de mármore escorregadio e, não obstante a inclinação, as escadas são arredondadas de tanto desgaste (é gente subindo o dia inteiro) e lisas que nem um sabão. Depois meu pai veio com essa superstição de que casais que sobem a torre juntos ficam juntos por 100 anos ♥ então valeu a pena. No fundo até que foi legal, claro. Mas ó: a cidade é só a torre, mais nada. 


                     Quem nunca?









Mas pelo menos deitei na chon ♥


    The city

Faltam ainda Assis, Roma e o Vaticano, semana que vem atualizo.