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domingo, julho 30, 2017



























This winter





























































A par das mortes, das tragédias e dos dramas que afetaram pessoas queridas, e apesar da dureza que tem sido o 7x1 nosso de cada dia na política, tem sido um inverno maravilhoso. Gelado, quieto, silencioso, de dias tranquilos e sem atropelos. Muita preguiça na hora de acordar, malhação atrasada, dedos gelados ao longo de todo o dia, e o vento cortante na hora de voltar pra casa. Botas, écharpes, chapéus, chocolate quente. Expediente até tarde, por conta do chamamento público. Capacitações sobre o MROSC. A correria e o cansaço são o de menos: estou produtiva, e é essa, de todas as coisas, a que mais me faz feliz.

Sei que tenho trabalhado um bocado para isso. E sei que toda a proteção que me abraça vem em retorno. 

Sei, também, que é tudo só o começo, porque eu quero muito mais. 

domingo, julho 16, 2017


101 coisas em 1001 dias

Partiu: 17/07/2017
Chegou: 13/04/2020 (aniversário do Björnen! Esse vai dar sorte)

1) Comprar uma casa. Quero jardim, espaço, árvores frutíferas, lareira, um piano de cauda e, principalmente, silêncio.
2) Separar uma grana pra abrir alguma aplicação para os meus sobrinhos 
3) Ajudar uma amiga a resolver aquela big issue familiar aparentemente insolúvel 
4) Ajudar outra amiga a resolver aquela big issue jurídica aparentemente insolúvel 
5) Resolver a minha big issue existencial aparentemente insolúvel 
6) Férias na Itália com o Maridaço
7) Dar aquela boa e definitiva arrumação nos armários e doar tudo o que tiver em excesso ou desuso
8) Abrir meus livros de receitas e preparar pelo menos uma receita inédita a cada estação - inverno: sopa sedosa 
9) Voltar a malhar com rotina, seriedade e dedicação
10) Passeio a cavalo
11) Formalizar minha Joint Venture com a Jose
12) Conhecer Capitólio - MG
13) Ir com minha mãe e Nandinha a Penedo - RJ
14) Organizar meu gabinete 
15) Renovar minha biblioteca jurídica
16) Retomar os estudos para o concurso da Procuradoria - PJF
17) Filhotinho de Pastor Alemão capa preta 
18) Aprender LIBRAS
19) Fazer uma aula de dança
20) Passear com o Rapha nas Jardins
21) Convidar Ivana e Nat para um café aqui em casa 
22) Fim-de-semana detox com apenas líquidos, frutas e vegetais
23) Elaborar projeto de lei de revisão das grades curriculares escolares para encaminhar à Câmara dos Deputados/Senado Federal
24) Levar meu pai pra conhecer a Cervejaria Barbante
25) Comprar um computador novo
26) Saudação ao sol da yoga todos os dias ao levantar
27) Mandar mais e-mails pra Anna 
28) Cortar da minha vida, por mais que doa, pessoas boazinhas mas que me fazem mal
29) Ver com mais frequência o Marquinhos 
30) Ler O Segundo Sexo, da Simone de Beauvoir
31) Check-up geral pré-quarentinha
32) Reduzir em pelo menos dois terços o tempo de uso das redes sociais
33) Passar um fds em Lavras Novas 
34) Dar uma volta de bicicleta 
35) Voltar à Suécia 
36) Levar o Rodrigo para conhecer meus sobrinhos em São Paulo, aproveitar e dar um passeio pela Liberdade/Avenida Paulista/Conjunto Nacional com ele
37) Assistir a um show de jazz
38) Comer um fondue no Empório Artesanal numa noite bem fria
39) Ser menos ingênua, ter um pouco mais de maldade na avaliação das coisas e das pessoas
40) Ir ao Teatro
41) Comprar uma caixa de chocolates extraordinariamente finos e caros 
42) Ser mais cuidadosa com a pele
43) Tomar, diariamente, as vitaminas que o orto recomendou - indo bem
44) Imprimir uma nova lista de ramais pra colar na mesa do trabalho
45) Escrever uma carta que nunca será enviada, só para organizar sentimentos e pacificar a alma mesmo
46) Peticionar ao MP pedindo a proteção das árvores da Avenida dos Andradas 
47) Fazer um arquivo organizadíssimo de documentos processuais 
48) Montar uma bibliotequinha de títulos infantis para Olívia e Gabriel 
49) Produzir a parede da sala, atrás do sofá (enquanto não mudo de casa)
50) Botar pedras de São Tomé na parede da sala, atrás da mesa de jantar (idem)
51) One day SPA em algum lugar
52) Fazer sauna todas as terças no Sport
53) Parar de roer as unhas, de novo na vida, e agora pra sempre - indo bem
54) Recuperar o hábito de escrever no blog todo domingo à noite
55) Beber Coca-Cola no máximo uma vez por mês
56) Açúcar e chocolate só aos fins de semana; frituras, só de 15 em 15 dias
57) Almoçar na mamãe pelo menos duas vezes por semanaindo bem
58) Fazer o check-up da Nala no veterinário 
59) Mandar fazer capas de edredom na costureira
60) Instalar cortinas na biblioteca
61) Ir com o Rodrigo ao Café da Mata
62) Fazer uma simpatia
63) Bolar uma nova tatoo
64) Instalar prateleiras, banco e mesa sueca na cozinha - em substituição: cantinho mineiro - OK em 29/07/2017
65) Dar um jeito no banheiro da suíte, que mesmo sendo lindo eu não consigo amar - OK! Em 29/07/2017
66) Ver uma apresentação de rap do Emanuel 
67) Comprar um presente legal pra minha cunhada/personal/maravilhosa Ju
68) Fazer uma fezinha na loteria
69) Trocar minha cadeira ergonômica 
70) Passar um dia perfeito, isolada no quarto só com o Kindle, meu cobertor com manguinhas e a Nala
71) Ir a uma praia quase deserta, no Nordeste
72) Juntar pelo menos R$ 500,00 por mês para viagens 
73) Comprar uma bolsa fuderosa
74) Providenciar um look advoguete fulminante para ter em reserva, para ocasiões especiais
75) Conhecer Paris 
76) Jogo de toalhas lindas e coloridas - OK em 04/08/2017
77) Tomar um bom banho de banheira com bastante espuma
78) Trocar todas as panelas daqui de casa
79) Passar uma manhã de sábado no calçadão com a Lara, comprando scrapbook papers na Caçula, vendo vitrines e almoçando no Café Central
80) Jantar no Berttu's com o Flavinho, num dos nossos #F
81) Tomar um banho de cachoeira
82) Dormir uma noite na Serra do Funil, ouvindo só os grilos, os sapos e demais cantores da night selvagem
83) Ver o documentário sobre a Nina Simone
84) Arrumar minha pulseira-teia
85) Comprar algo lindo para a casa na Galícia/Vasoândia
86) Experimentar uma fruta que eu nunca comi
87) Aprofundar os estudos sobre os assuntos discutidos no Conselho de Cultura
88) Fazer uma doação para alguma OSC 
89) Dar um presente legal para a Manuela, quando ela fizer aniversário -OK! Em 01/08/2017
90) Reler O Cortiço
91) Ler mais uma obra do Érico Veríssimo
92) Fazer uma aula de yoga num lugar bem verde e zen
93) Providenciar um tênis bonitinho pra ir e voltar do trabalho a pé
94) Perfume Gaultier X e J'adore
95) Preparar um almoço escandinavo com salmão, o dill plantado aqui em casa, mostarda e batatas 
96) Visitar um museu de arte 
97) Mudar de médica
98) Encarar com seriedade a possibilidade de um plot twist profissional 
99) Mestrado na UFJF
100) Levar uma proposta séria para avaliação da pessoa certa 
101) Aprender a dizer firmes e decididos nãos, para toda e qualquer pessoa, sem um pingo de culpa.


domingo, julho 09, 2017


Finalizando o domingo, coisas boas, lindas e felizes: Olívia e Gabriel estão cada dia mais rechonchudos. E bonitinhos, e gostosuros, e irresistíveis. 

Me enche tanto, mas TANTO o saco essa dedução simplória, rasteira e automática de que "ain, você tá tão maravilhada com os gêmeos, nem assim você anima a ter os seus, não"? Como se amar profundamente dois bebês fosse indício direto de que eu devo desejar parir os meus próprios seres humanos. Como se o amor pelos meus sobrinhos fosse o suprimento de uma deficiência, de uma lacuna dolorosa, de um vácuo sentimental. Como se o afeto genuíno por eles fosse a face solar de um sombrio recalque.

Meus senhores, se tem uma coisa que é incondicional, nesta vida, é o verbo amar. E ele (pelo menos no meu caso) vem totalmente desvinculado de qualquer idéia de posse ou dominação. O fato de eu gostar de uma criança não implica que eu deseje ter filhos, assim como eu adoro cavalos e não encontro, em nenhum departamento dos meus quereres, a menor vontade de ter um. 

É um clássico, na minha vida, amar sem possuir. Isso vai desde as pessoas até às coisas inanimadas: vivo me apaixonando através das vitrines, e sentindo apenas gratidão por aquela porcelana ser tão linda onde está, refletindo em seu brilho as pessoas passando, as luzes dos carros, a vida pulsante da cidade. Trazê-la para casa, numa caixa, seria arruinar esse cenário que me fez tão bem à alma contemplar. 

Ademais, a beleza, a arte, as emoções estéticas, elas me nutrem de onde estiverem, inclusive da memória.

Fato é que só sei amar deixando o ser amado livre para ser, para avoar, pra nem lembrar que eu existo, até para não me amar de volta, se ele não quiser. Aliás, existe querer amar? Existe amar por dever de ofício, amar por preceito legal? Vai ver é por isso que eu tenho tanta raiva de gente que me cobra amor: amor não é moeda, amor não é compromisso, amor não é obrigação, amor não tem qualquer correlação com justiça e equilíbrio de contas, não é sequer consideração. Amor não é direito nem dever. Amor brota, pula do peito e ganha o mundo, qualquer coisa diferente disso é mesquinharia, interesse e manipulação. 

Nessas horas eu volto aos meus pequeninos e penso que só me interessa vê-los surfando nas ondas gigantes desse Havaí de amor que eu sinto por eles. 

Minha prancha, mesmo, eu nem sei onde está. 

Ao invés de perguntar como 2017 vem sendo pra você (vamos evitar mais choro e ranger de dentes), quero saber o contrário: o que você vem sendo em 2017?

Continuando a temática do post passado, eu diria que em 2017 eu venho sendo uma imensa, arriada e inesgotável teta. Me sinto aquela raposa do ártico presa na toca no inverno, só pele e osso, cheia de filhotinhos chorões dependurados. Todos fuertudos, todos sarados, mas ela o pó, um caco, um bagaço.

Por incrível que pareça, isso não chega a me fazer infeliz. Confere com a minha vocação para o altruísmo, ajuda a aliviar a imensa culpa que eu carrego pelos meus privilégios. É, eu não consigo degustar nada que seja valioso e raro sem sofrer. Me sinto culpada por ser uma mulher branca da elite, numa sociedade que discrimina com tanta crueldade o negro, o pobre, o marginal. Por ter um marido excepcional, um trabalho foda que me traz reconhecimento e paga minhas contas, por caber em roupas de qualquer boutique, por ser livre e poder me determinar de acordo com meus próprios desígnios. Fora as cestas básicas de sorte que periodicamente me caem do céu, que nem a bóia dos soldados em missão estrangeira. Sei que eu sou uma puta cara legal, mas até aí, tanta gente é até mais que eu e não tem o mesmo retorno. 

Neste momento, sinto que o que eu mais queria era poder parar um pouco, mas parar em paz. O que só seria possível se eu tivesse a certeza de que não tem ninguém com fome, dependendo do meu leite.

Esquece.

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Nessa semana, dois acidentes muito tristes tiraram a vida de duas moças jovens, bonitas e cheias de futuro, daqui de Juiz de Fora. Como sempre, minha primeira providência ao ler as manchetes na Tribuna foi querer saber mais sobre quem elas eram, como eram, o que estavam fazendo. Então visitei seus perfis sociais no Facebook.

A beatificação instantânea da morte é algo tão tabu que a própria menção desse fato já parece desrespeito com os que se foram, mas é preciso que eu vá adiante senão o texto não fecha: eram duas meninas perfeitas. Benquistas, bem-amadas, importantes para a família, para os amigos, para os colegas de trabalho. Dedicadas, apegadas à vida, alegres, sonhadoras. O perfil de todos os mortos é sempre a sua melhor fotografia, o close mais favorável, e nesse momento são reparadas todas as injustiças por eles sofridas, numa belíssima metáfora do juízo final descrito na Bíblia. 

E nesse instante me percorreu, numa lucidez de raio, a conclusão de que muitas pessoas decidem se suicidar não para pôr fim ao sofrimento existencial, mas para que a sua verdade aflore. Como um último recurso desesperado no afã de serem ouvidas, porque nessa hora todos pararão para prestar, nelas, e em suas pistas e memórias, toda a atenção do mundo, como à noiva adentrando a capela. Um modo de resetarem a própria imagem, ainda que nada disso faça sentido, porque não estarão aqui pra degustar o doce sabor da reparação moral. Pensei em mim própria, e em todos os momentos em que margeei, perigosamente, o abismo da autodestruição. Pensei na Nicole e na Raphaela, que não tinham a menor intenção de morrer, que não mereciam, que não deveriam ter tido destino tão triste. E, na falta de uma crença qualquer, levantei, com meu vazio, minha melancolia e minhas perguntas sem resposta, para atender ao chamado da secretária. A reunião ia começar. 



sábado, julho 08, 2017



Oi Flávia, eu vim te procurar aqui ontem mas você tava em reunião, tudo bem? Aqui, é o seguinte, a minha vó, ela tinha uma casa em Piau, daí - ah, o chefe tá te chamando, vai lá depois a gente conversa - meninas, aqui, desculpem mas a reunião aqui tá com cara que vai durar horas, podem ir almoçando sem mim. - Alô, é a Flávia Iasbeck? Oi, tá podendo falar? Então, que negócio é esse de MROSC, depois você me explica? Flávia, tem como você dar uma olhadinha num processo pra mim, pois é, não sei onde anda meu advogado, ele não me atende, ele some, ah, Flávia, fiz uma compra pelo e-bay e meu dinheiro extraviou e eu não falo inglês, me ajuda? Marido, desculpa, eu já voltei pro trabalho sim mas ainda não tive tempo nem de fazer xixi, por isso não te mandei SMS, beijo, te amo - Flávia, depois você liga pra Marlene do Controle Interno que ela tá ofendidíssima com um documento aí que você escreveu, ah, tem que tomar cuidado que ela é sensível, sim, eu sei que não tinha nada pessoal ali, mas foi achar defeito no manual que ela elaborou, deu nisso. Flávia, redige um memorando pra mim, eu não consigo fazer rápido que nem você, Flávia, o processo da Aldeias já tá há um mês com o Dr. Rodrigo, tem como cobrar dele? Alô, boa tarde, sr. gerente, eu já ia retornar sua ligação sim, olha, a abordagem social já tá indo lá ver a situação daquele senhor, não, ele não aceita nenhum encaminhamento, no abrigo ele não fica por causa dos cachorros, sim, sim, ele tem auxílio-moradia e tudo. Um minutinho, que eu vou te passar o ramal do Departamento responsável - Flávia, o chefe pediu pra você representar ele numa audiência pública lá na Câmara às 15h, Flávia, por que você não toma própolis? É tiro e queda - ih esqueci de ligar pra minha sogra, ela telefonou quando eu tava no banho, já tem três dias que não entro no Facebook e devo ter deixado vários aniversariantes sem parabéns, nossa, visualizei a mensagem e não respondi porque o sinal caiu bem na hora e eu saí do elevador enfiando o telefone na bolsa antes que um bonde de meninos de boné fora da cabeça me visse, mãe? Não, mãe, não tenho condição de pegar mais nenhum processo agora, o que que é? Oi amor, sou eu, que que aconteceu que você não deu mais notícia, vai sair no horário? Flávia, tem como você só assinar uma petição que o meu sobrinho Promotor de Justiça já redigiu, só precisamos de um advogado pra protocolar, você faria a gentileza? Flávia, a Cristiane tá apanhando do marido, que que ela pode fazer contra ele? Flávia, não aguento mais minha família, não é possível que a lei permita que uma pessoa que eu detesto possa ficar eternamente no meu costado, Flávia, vai comigo na PM lavrar um BO? Flávia, por que seu cabelo tá tão ralo, nossa, tem tempo que vc não faz as unhas aqui no salão, oi sumida, nossa como você tá magra. Flávia, eu sei que amanhã você acorda 04:45 pra malhar, não sei como você dá conta, é verdade que você depois das 19h não come mais nada? Por que você não faz pilates? eu tou adorando, uma pena você ter parado de desenhar, lembrou que não tem iogurte pro café da manhã? Flávia, tá uma fofoca aí de que o Secretário de Governo tá pedindo sua cabeça de novo, eles precisam de um bode expiatório pro problema político que o chamamento vai trazer, você não pode parar de advogar não, hein, que horas são, 20:13? ainda tá na SDS? Me avisa quando já estiver no ônibus, vem bonitinha, não esquece de ligar pra minha mãe que ela deve estar achando que você não quer falar com ela. Nossa, você anda tão estressada. Amanhã vou ver se consigo te encontrar depois das 18h, Flavita, não sei se o Danilo vai poder ficar com a Júlia, qualquer coisa você recebe o cliente sozinha, tem problema? Lôra, pinta essa raiz. Flavinha, a Neide tá estranhando que você não curte nada dela no Facebook, Doutora, tem notícia de quando volta o processo da segunda instância? Não, esse batimento cardíaco alterado não é nada, seu eletro tá OK, procura evitar stress. Tem que dar um retorno pro Ministério Público até amanhã. A van da OAB tá circulando normalmente, ainda não passou aí? Aqui, mais uma multa de trânsito, ainda bem que eu tenho amiga advogada. Tá tudo bem mesmo? Sua voz tá péssima. Fica com Deus. Toma própolis. 

domingo, julho 02, 2017


Crescer. Aprofundar. Desenvolver.

Criar, expandir, desbravar.

Segurar a onda. Superar. Perder alguns medos.

Aproveitar. De verdade.

Renovar.

Aperfeiçoar. 

Enxergar.

Preparar,

Apontar,

Ar!

domingo, junho 18, 2017




Nasceram!! Gabriel e Olívia, amores da Titia! No dia 12 de junho, data cheia de coraçõezinhos e good vibes românticas all around! 

Amanhã eles fazem uma semaninha de nascidos e eu completo sete dias sem conseguir pensar em outra coisa. Fico viajando nas lembranças do dia - sem força de expressão - mais feliz da minha vida.
















 










             


Foi tudo lindo demais, perfeito, inesquecível. Desde a noite gelada em Juiz de Fora, eu, Nandinha, tia Márcia e Yuri embarcando no ônibus das 23:40 e chegando às 07 da manhã numa São Paulo ensolarada, linda como sempre, e alguns graus mais fresquinha. Meu pai buscando a gente na rodoviária, o café na cozinha do apartamento atravancado de malas, fraldas e coisinhas de neném, as olhadas no relógio a cada dez minutos: o parto estava marcado para as 15h. 

Fomos à Casa Santa Luzia, demos umas voltinhas nas Jardins, e fomos pra maternidade Santa Joana, clínica super platinum high tech modernérrima mega chic e bem paulistana onde já estavam a Nat e o Daniel. Saímos pra almoçar no restaurante da esquina e voltamos a tempo de acompanhar, naquele telão igual ao de aeroporto, todos os estágios da aterrissagem que ia mudar as vidas de todos nós dali a alguns instantinhos.
 

Nasceram lindos e saudáveis, ela um tanto maior que ele, mais parrudinha e chorona; ele, quietinho, boa-praça, todo meigo. Impossível pensar num amor maior do que esse, amor que veio misturado com uma vontade oceânica de protegê-los dos mínimos incômodos, dos mais bobos dos contratempos. Vontade de dar tudo de mim pra eles e por eles. Meus sobrinhos!! Filhos do meu irmão, sangue do nosso sangue, continuação da nossa família, coisinhas amadas da Tia que inauguraram mais uma geração no nosso tronco e abriram uma avenida de novas alegrias para o futuro de todos nós. 

Ainda não sabemos nada sobre vocês, Olívia e Gabriel, mas quero que saibam, quando crescerem e um dia acharem esse blog da tia Flávia, que o nascimento de vocês foi a coisa mais feliz que já me aconteceu. 

Quero que vocês tenham, além de saúde, inteligência e alegria, proteção imunológica contra as patologias dessa sociedade indigna de vocês. Que ousem ser exatamente quem desejarem ser, sem baixar a cabeça pra caber no padrãozinho preconcebido de ninguém. Que nunca sofram essas pressões insanas por sucesso, beleza, status, tudo isso é bullshit,nada disso serve pra nutrir a alma, e é dela - e só dela - que a gente vive. Aproveitem todas as oportunidades de conviver com os avós maravilhosos que vocês têm, com essas tias tão diferentes uma da outra, mas ambas com uma vastidão de amor por vocês. Guardei livros de historinhas que eu lia para o papai Daniel quando éramos pequenos, e duvido que Ipad Ipod Itunes da vida sejam capazes de divertir mais do que aquelas imagens e fantasias, que vão ser vividas aqui, debaixo das minhas asas, nos dias em que vocês vierem dormir na minha casa. Vamos tomar sorvete, fazer piquenique, passear no Museu, viajar para a casa do Papai Noel, passear de cavalo, nadar na piscina do Sport, comprar brinquedos na Loja Americana, vestir de caipira nas festas juninas, quem vai querer??

Quero que vocês tenham uma vida plena de experiências felizes e enriquecedoras, que tenham tudo o que a vida puder oferecer de melhor e o mínimo de encheção de saco possível. Dinheiro, mais para nunca precisarem se preocupar com dinheiro do que pra sentirem aquela compulsão sem fundo para ter sempre mais dinheiro. Que tenham sorte no amor, mas a qualquer sinal de decepção, saibam que vai passar, e depois vocês vão rir. E mesmo enquanto estiver doendo, é uma dor que tem a sua lírica e a sua importância, e - por incrível que pareça - até o seu prazer. Que puxem a tia Flávia e tenham, sim, um certo medo das coisas perigosas, mas que sejam meio tia Nandinha e saibam gastar dinheiro, não problematizar demais os dramas inevitáveis da existência e viajar com facilidade.

E a qualquer sinal de tristeza, insegurança e desamparo, venham CORRENDO pro meu colo, que vai sempre estar aqui pra vocês, até o último dia em que eu existir neste mundo. ♥

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Foi hoje!!

Venceu minha listinha de 101 coisas em 1001 dias. O mundo - especialmente o Brasil - deu reviravoltas inimagináveis nesses 1001 dias, coisas que eu não supunha nem em sonho. Muitas, pra pior. Outras, como Olívia e Gabriel, foram surpresas que superaram todo o resto. Conferindo as metas, vejo que consegui até concretizar um número razoável delas. Umas, tão simples (andar a cavalo, ir ao Teatro), não fiz. Outras, audaciosas (comprar um apartamento, voltar á Suécia) estão ticadas. A mais dolorosa das inconcluídas, sem dúvida, foi assistir à gravação do Divã do Gikovate, que eu fiquei adiando e, agora, nunca mais. 

Mas sigo tendo o mais importante de tudo: outros 101 planos para mais 1001 dias vindouros. 

Em breve, uma nova lista, uma nova viagem a São Paulo, novos planos. Mas por ora, banho e cama, que são 22h de um domingo frio e feliz de junho, e amanhã começa tuuudo de novo na minha querida Secretaria de Desenvolvimento Social.

Deixo vocês com o clima junino da estação, porque o que se leva desta vida, coração, é o amor que a gente tem pra dar :D